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Armazenamento de energia solar em estado líquido por meses
Cientistas criam líquido capaz de armazenar energia do sol por meses e liberar calor depois sem bateria, fio ou tomada Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 26/02/2026 às 17:53 Atualizado em 26/02/2026 às 22:53 Ciência e Tecnologia Cientistas criam fluido capaz de armazenar energia solar por meses e liberar calor sob demanda sem baterias ou conversão elétrica. Cientistas criam fluido capaz de armazenar energia solar por meses e liberar calor sob demanda sem baterias ou conversão elétrica.
Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Califórnia utiliza moléculas reversíveis capazes de armazenar energia solar em estado líquido por meses, permitindo liberar calor sob demanda sem baterias, sem conversão elétrica e com densidade energética de 1,6 MJ/kg, abrindo caminho para novas formas de aquecimento e armazenamento térmico O desenvolvimento de um fluido molecular capaz de armazenar energia solar e liberá-la meses depois como calor utilizável foi apresentado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, propondo uma alternativa direta para armazenar energia sem conversão elétrica e sem baterias convencionais.
Durante séculos, a ideia de capturar energia natural para uso posterior permaneceu como ambição tecnológica recorrente. O novo sistema propõe armazenar energia diretamente em ligações moleculares, mantendo calor aprisionado sem depender de eletricidade ou circulação de elétrons. A proposta busca armazenar energia solar sem utilizar redes elétricas ou sistemas tradicionais baseados em baterias. Sistema molecular criado para armazenar energia solar diretamente A equipe liderada pela professora associada Grace Han desenvolveu um sistema de armazenamento de energia solar térmica molecular, conhecido pela sigla MOST. A tecnologia foi criada especificamente para armazenar energia em forma térmica, dispensando baterias. O fluido contém moléculas de pirimidina modificadas que reagem quando expostas à luz solar. Ao receber radiação, cada molécula altera sua estrutura, assumindo uma configuração alongada com maior conteúdo energético armazenado internamente. Essa transformação molecular funciona como um mecanismo reversível. A energia permanece acumulada na nova configuração química, permitindo armazenar energia sem perdas significativas ao longo do tempo.
O material pode permanecer nesse estado energético por meses e até mais de um ano em temperatura ambiente. Segundo os resultados apresentados, não foram observadas perdas relevantes nem processos de autodescarga durante o armazenamento. Moléculas reversíveis permitem armazenar energia por longos períodos Quando o calor é necessário, o sistema exige apenas um estímulo específico. A aplicação de calor adicional ou de um catalisador ácido faz com que a molécula retorne à sua forma original. Nesse processo reverso, a energia previamente armazenada é liberada diretamente como calor utilizável. Após a liberação, o ciclo pode ser repetido indefinidamente, mantendo o material reutilizável. O funcionamento foi comparado ao comportamento de lentes fotocrômicas, que mudam de estado sob exposição solar e retornam à condição inicial em ambientes internos. No entanto, neste caso, o objetivo é gerenciar energia térmica. A reversibilidade molecular permite controlar quando liberar o calor, criando um sistema de aquecimento sob demanda independente da presença imediata do sol. Desempenho térmico alcança densidade energética de 1,6 MJ/kg O sistema desenvolvido apresentou densidade energética aproximada de 1,6 megajoule por quilograma. Esse valor corresponde a cerca do dobro da capacidade observada em baterias convencionais de íon-lítio. Apesar da comparação numérica, o fluido não funciona como bateria elétrica. O sistema foi projetado exclusivamente para armazenar energia térmica e liberar calor, eliminando perdas associadas à conversão entre eletricidade e energia química.
Testes laboratoriais demonstraram que o calor liberado foi suficiente para ferver água em condições ambientais. O experimento serviu como validação prática da quantidade de energia armazenada no fluido molecular. O resultado destaca a capacidade do material de gerar calor relevante sem combustão e sem fornecimento direto de eletricidade. Infraestrutura líquida permite ampliar capacidade para armazenar energia Um dos aspectos centrais do sistema é sua forma líquida. Por se tratar de um fluido bombeável, o aumento da capacidade de armazenamento não exige mudanças estruturais complexas. A expansão ocorre simplesmente com a adição de maior volume da solução. O líquido pode circular por tubulações, ser armazenado em tanques isolados e transportado utilizando infraestrutura industrial convencional. Essa característica levou à descrição técnica do conceito como “sol engarrafado”. O fluido pode ser carregado durante o dia em coletores solares e armazenado para uso posterior. Horas ou meses depois, o calor acumulado pode ser utilizado para aquecimento de água, preparo de alimentos, climatização de ambientes ou processos industriais de baixa e média temperatura. Possibilidade de armazenar energia solar entre estações do ano Entre as aplicações discutidas está o armazenamento sazonal de energia.
O sistema permitiria carregar energia solar durante o verão e utilizá-la no inverno. Esse tipo de armazenamento apresenta desafios para baterias elétricas devido a custos e perdas ao longo do tempo. A estabilidade molecular observada no fluido surge como elemento fundamental nesse cenário. A integração com geradores termoelétricos ou ciclos térmicos também está sendo considerada. Essa combinação poderia permitir geração elétrica apenas quando necessário, independentemente da incidência solar imediata. O modelo amplia a flexibilidade energética ao separar o momento da captação solar do momento do consumo térmico. Tecnologia pode preencher lacuna no armazenamento térmico limpo Caso ultrapasse a fase laboratorial, o sistema poderá atuar como componente complementar dentro da transição energética. A proposta não substitui redes elétricas nem sistemas convencionais de armazenamento. O foco está em preencher uma lacuna específica relacionada ao armazenamento de energia térmica limpa, reutilizável e de longa duração. Em aplicações residenciais, o fluido poderia atender demandas ligadas ao aquecimento e à produção de água quente.
Em ambientes industriais, o sistema pode contribuir em processos térmicos onde a eletrificação direta apresenta limitações. A tecnologia também pode operar em conjunto com sistemas fotovoltaicos, energia solar térmica e bombas de calor, permitindo aproveitar a energia solar capturada em diferentes momentos. O avanço apresentado demonstra uma abordagem baseada em transformações químicas controladas para armazenar energia de forma estável, reutilizável e acionável sob demanda, utilizando calor diretamente preservado em ligações moleculares.

Publicado em 11 de maio de 2026 / Click Petróleo e Gás